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CASTRAÇÃO
Realidades e mitos
Temos que mudar a nossa
mentalidade e pensar conscientemente em relação à reprodução
dos nossos animais de estimação!
O termo CASTRAÇÃO pode não soar
bem aos nossos ouvidos, mas se todos os mitos que foram
surgindo ao longo do tempo forem devidamente esclarecidos,
de certeza que a sua opinião final será completamente
diferente.
Sempre que falamos sobre os
animais abandonados, é imprescindível reflectir de uma forma
consciente sobre a castração e a esterilização em massa dos
nossos animais de estimação.
Ao contrário do que tem sido
divulgado ao longo do tempo, são muito maiores as vantagens
do que as desvantagens implicadas neste processo.
Ao abordar este tema, somos
obrigados a reflectir sobre tudo que ele envolve! Se é um
proprietário consciente, certamente que só irá decidir
depois de se informar em relação a todas as dúvidas que
possa ter em relação a este procedimento...
Definição
A esterilização consiste na
remoção cirúrgica dos ovários e do útero. A castração
consiste na remoção cirúrgica dos testículos. São actos
cirúrgicos, realizados por médicos veterinários. Os animais
são anestesiados de acordo com a sua espécie, idade, e
estado geral de saúde. São administrados medicamentos
adequados para controlar a dor e desconforto, e para evitar
infecções relacionadas com o período pós-operatório.
Os mitos
As fêmeas têm que ter pelo
menos 1 cios antes de serem esterilizadas. Têm que ter pelo
menos uma ninhada – senão, perdem o instinto maternal. Vão
engordar. Os machos vão perder a masculinidade e o instinto
de guarda. Deixam de servir para cães de guarda e de caça. É
um procedimento muito dispendioso.
A
realidade
Ao nível
do Comportamento:
A fêmea não esterilizada
Na altura do cio passa por uma
fase de sangramento, e tem alterações do comportamento –
pode tentar fugir para procurar um macho, torna-se menos
obediente e por vezes pode querer marcar território (para
“informar” os machos da sua receptividade).
Passado algum tempo, mesmo não
tendo sido coberta, pode exibir comportamentos estranhos
relacionados com a pseudo-gestação (gravidez psicológica),
que passam por “fazer ninho”, “adopção” de objectos/bonecos
e exibição de comportamento maternal.
A fêmea esterilizada
As fêmeas esterilizadas deixam
de exibir o comportamento típico do cio. Pode passeá-la sem
qualquer tipo de restrição nem medo. Contudo, as que têm um
comportamento dominante, se não forem convenientemente
disciplinadas, podem ficar mais agressivas após a castração.
O seu instinto protector permanece inalterado, sendo
igualmente boas guardiãs. A esterilização inibe o
aparecimento de cancro da mama.
O macho não castrado
O seu instinto será sempre o de
seguir as fêmeas em cio, marcar território (dentro e fora de
casa) e de competir com outros machos pelas fêmeas
disponíveis. Durante estes episódios de fuga, pode
perder-se, passar fome/ frio, entrar em lutas com outros
machos (lembre-se que os vírus da leucemia felina e da
imuno-deficiência felina são quase sempre transmitidos por
mordeduras e arranhadelas), ser atropelado, ou agredido
pelos proprietários das cadelas /gatas em cio, etc. Este
comportamento não está relacionado com a psicologia do
animal, mas é sim determinada pela testosterona, hormona
produzida em grande parte pelos testículos, e que não está
relacionada com o instinto de defesa!
O macho castrado
Quando castrados, deixam de
viver permanente em stress, à procura de fêmeas em cio.
Tornam-se mais caseiros, ficando mais protegidos das
agressões exteriores e protectores do seu território. A sua
rotina passa a englobar apenas as necessidades básicas de
relacionamento social, das quais continuam a fazer parte o
instinto de guarda do seu território. Deixa, quase sempre,
de marcar o território, montar pessoas e objectos, que são
queixas frequentes dos proprietários de machos.
Saúde
A obesidade
Realmente há alterações nos
animais castrados, mas a obesidade não surge apenas nos
animais castrados/esterilizados. Quanto mais precoce for a
esterilização/ castração, menor será a probabilidade de se
tornar um animal obeso no futuro. Além disso, tal como no
homem, a dieta e a falta de exercício físico é que
constituem as principais causas da obesidade.
A Castração
reduz o risco de aparecimento de problemas de saúde. Diminui
ou mesmo provoca o desaparecimento de comportamentos
indesejáveis, tais como a marcação de território e evita o
aparecimento de ninhadas indesejadas.
Mário Santos, médico
veterinário
(Director Clínico do HVP)

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